Holiness, Uma Breve Apresentação

A Igreja Evangélica Holiness do Brasil é uma comunidade evangélica iniciada em São Paulo por missionários japoneses (Igreja Holiness do Japão), a partir de 1925. Hoje, temos comunidades e trabalhos regulares em dez Estados do Brasil. Temos também trabalhos regulares, semanais, em algumas localidades do Japão. E temos ainda, enviados do Brasil, missionários em países do Oriente e no Japão. Por causa das nossas origens, a língua japonesa é grandemente utilizada. A evangelização entre os japoneses e seus descendentes é, sem dúvida, um dos aspectos de nossa vocação. Mas, hoje, a maior parte dos trabalhos é em português, e todas as pessoas são bem-vindas.

Quanto às origens e doutrinas, nossa posição é evangélica, dos movimentos de santidade. Ela pode ser definida, historicamente, da seguinte maneira:

a) Como todos os grupos protestantes, somos herdeiros da Reforma do século XVI. Juntamente com as igrejas oriundas dessa Reforma, afirmamos a Bíblia como a Palavra de Deus, autoridade completa e suficiente para assuntos de fé e de conduta cristã; a justificação pela fé, ou seja, o perdão e a salvação que recebemos por meio de Cristo, é inteiramente pela graça, dependendo exclusivamente dos méritos de Cristo e da graça de Deus (e não do esforço humano); a autoridade da Palavra sobre a Igreja é inquestionável e, por isso, sua vida e seus costumes, seu governo e suas estruturas devem ser julgados à luz das Sagradas Escrituras e devem ser reformados sempre que for necessário, obedecendo aos seus cânones.

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    b) Juntamente com as igrejas batistas e similares, afirmamos a importância de cada cristão responder pessoalmente ao Evangelho e batizamos somente pessoas que, havendo se arrependido dos seus pecados, tenham feito confissão e aceitado a Cristo como Salvador e Senhor de suas vidas (séculos XVI e XVII).

    c) Juntamente com as igrejas que receberam o influxo do avivamento de John Wesley e seus companheiros (século XVIII), afirmamos que o cristão que tenha experimentado a bênção da salvação deve prosseguir em obediência, fidelidade e perseverança para uma segunda bênção: a da Santificação (Holiness), que vem como resultado da habitação de Cristo em seu coração. No começo deste século, antes que houvesse o surto do movimento Pentecostal, falou-se em círculos de santidade na bênção de Pentecostes e no poder pentecostal, significando batismo do Espírito Santo e revestimento de poder e de santidade.

    d) Por isso, juntamente com as igrejas pentecostais, afirmamos a importância de se buscar a bênção de Pentecostes, que é a recepção e a plenitude do Espírito Santo na vida do cristão e da Igreja, para que haja manifestação de dons, frutos e ministérios. Cremos que, desse modo, a Igreja adquire poder para cumprir o mandato missionário.

    e) À semelhança das igrejas adventistas, enfatizamos a doutrina da Segunda Vinda de Jesus Cristo. A proximidade da vinda do Senhor insta-nos a não colocar a nossa esperança em estruturas deste mundo, nem em soluções humanas, mas, sim, a viver vigilantes, em prontidão para o serviço do Reino de Deus. A Segunda Vinda do Senhor traz-nos a perspectiva da urgência da obra da evangelização.

    f) Como várias outras igrejas evangélicas, enfatizamos a doutrina da cura divina: Jesus Cristo, que no passado curou todos os enfermos, é o mesmo ontem, hoje e eternamente, e ainda hoje realiza sinais e prodígios, também na área de cura.

    Embora sendo herdeira da Reforma, a IEHB não se chama Reformada, pois tem recebido, desde o momento de sua constituição como igreja até o presente, outros dons e carismas. Embora batizando, de preferência, por imersão, não nos chamamos Batistas, pois não fazemos da forma de batismo um cavalo de batalha. Entendemos que o batismo de águas é símbolo do batismo espiritual pelo Espírito Santo e consiste no mergulho na morte e na ressurreição do nosso Senhor. Embora crendo que a experiência de Pentecostes é de primordial importância, não nos chamamos Pentecostais, pois não cremos que o dom de línguas seja sinal indispensável para quem recebeu o Espírito Santo. Tampouco nos chamamos Adventistas, pois embora dando ênfase à Segunda Vinda de Cristo, não cremos que essa doutrina deva ser o centro de todo o pensamento cristão, nem fazemos da guarda do sábado marca principal do cristão. Não somos “tenda de cura divina” nem “Casa de Bênção”, pois embora enfatizando a cura divina não cremos que essa deva ser a atividade central da igreja.

    O nome “Holiness” (“santidade” ou “santificação”, em inglês) lembra que somos herdeiros de um avivamento que, cruzando linhas denominacionais, inflamou quase todas as igrejas do Ocidente, a partir de John Wesley, no século XVIII, e nos séculos XIX e XX produziu uma grande onda missionária, primeiro da Europa para o resto do mundo, depois da Europa e dos Estados Unidos para os cinco continentes, cujos frutos e reverberações podem ser detectados hoje em todo o mundo. Cremos que o Espírito Santo deve ser manifestado principalmente por uma vida de simplicidade, amor, santidade e dedicação integral à causa do Evangelho. Cremos ser possível levar uma vida de santidade vitoriosa, como resultado de plena submissão a Deus e da plenitude do Espírito Santo no coração do crente. O nome em inglês foi adotado porque representou uma preocupação inicial na vida de John Wesley, ao fundar em Oxford o Clube de Santidade (Holy Club), bem como das associações de santidade (Holiness Associations) que procuravam manter e desenvolver no âmbito interdenominacional o avivamento nos séculos XIX e XX.

    [John Wesley and His Friends at Oxford, Claxton, Marshall, 1813–1881, Photo credit: Salford Museum & Art Gallery]
    [John Wesley and His Friends at Oxford, Claxton, Marshall, 1813–1881, Photo credit: Salford Museum & Art Gallery]

    Esse avivamento teve muitos líderes e expoentes no mundo anglo-saxão. E, por isso, tanto na Inglaterra como nos Estados Unidos e no Canadá houve grande número de revistas, seminários e centros de estudos e de formação, dedicados ao desenvolvimento da santidade bíblica. A doutrina de Santidade teve ecos profundos na alma e na mentalidade japonesa, cuja cultura e religiões trazem traços de aspiração por uma vida de santidade. O nome em inglês foi mantido e se firmou porque servia para fazer distinção entre a santidade bíblica, trazida pelo sangue do Cordeiro e pelo Espírito Santo, e a noção de santidade presente na cultura e na religiosidade japonesa. A nossa igreja mantém laços de fraternidade com as igrejas no Japão oriundas do avivamento Holiness do século XX.

    Algumas igrejas no Brasil historicamente têm mais afinidade com a nossa denominação. São elas: Igreja do Nazareno, Aliança Cristã e Missionária, Metodista Livre, Exército da Salvação e outras. Mas a todas a igrejas e cristãos que sinceramente amam a Deus e reconhecem a Cristo como Senhor e Salvador, conforme as Escrituras, estendemos a nossa destra de comunhão fraternal, em nome do Senhor Jesus.

    Juji Nakada, o primeiro à esquerda
    Juji Nakada, o primeiro à esquerda

    No ano de 1897 o Japão é um país em grande transformação.

    Isolado do ocidente por séculos, o Japão finalmente abre suas portas para o comércio e intercâmbio cultural internacional.
    Uma série de transformações está ocorrendo num país que resolveu desenvolver sua indústria, sua cultura e seu comércio a qualquer custo. Essas transformações são acompanhadas de grandes convulsões sociais. A migração de uma sociedade agrária para uma sociedade industrial tem o seu preço: o fim do período feudal. Milhares de camponeses trocam seus lares no interior e se deslocam em direção aos grandes centros urbanos em busca de trabalho. Com isso, surgem favelas, marginalização e problemas sociais. Juji Nakada é um jovem com 27 anos, um pastor metodista que, frustrado com seu fraco desempenho no ministério de evangelização, pensa em largar o ministério. O Japão já está sendo evangelizado por cerca de trinta anos, e menos de 20% do país foi alcançado pela mensagem do evangelho.

    “Vou largar o ministério. É melhor ser um leigo ativo que um pastor frustrado!”
    diz o pastor Juji Nakada à sua esposa.

    Ela responde dizendo: “Eu me casei com você por que tinha chamado para ser pastor. Como você me diz uma coisa dessas?” E continuou: “diga-me o que você precisa para ficar satisfeito com o seu ministério”. Juji Nakada mencionou que na América estava acontecendo um grande avivamento. “Talvez eu devesse buscar estudar no seminário Moody, um centro onde os treinamentos são bastante práticos.” O movimento pentecostal ainda não havia surgido, mas o Espírito Santo estava se movendo naquele país.

    Sua esposa, então trouxe uma certa quantia em dinheiro dizendo:

    “Quando me casei com você, recebi este dote, pois todos sabiam que a vida de uma esposa de pastor não é fácil. Tome este dinheiro e vá para a América buscar o Espírito Santo”.

    Charles Cowman
    Charles Cowman

    Charles e Lettie Cowman

    No ano de 1897 Juji Nakada chega aos Estados Unidos e se matricula no Instituto Bíblico Moody. Começa a freqüentar reuniões de avivamento nas casas e conhece o casal Charles e Lettie Cowman, da igreja Metodista da Graça e dava mais valor às reuniões que às aulas do seminário.

    Certa vez, um dos participantes dessas reuniões de avivamento lhe disse: “buscar o Espírito Santo traz poder”.

    “Eu não estou buscando poder, mas santidade!”
    respondeu Juji Nakada

    Num dia ele teve a experiência profunda com o Espírito Santo e sentiu que Deus o enviava novamente para o Japão. No dia seguinte, desligou-se do seminário justificando: “O que eu vim buscar na América já consegui, por isso vou embora”.

    Despediu-se do casal Charles e Lettie Cowman dizendo: “venha ajudar a evangelizar o Japão!” Na volta, empregou-se num navio que iria à Europa, onde fez questão de visitar os lugares por onde o evangelista John Wesley havia passado. Depois, fez uma viagem que inclui o sudeste asiático até chegar ao Japão seis meses mais tarde.

    Charles e Lettie Cowman, sentiam que tinham chamado para a Índia, mas o convite de Juji Nakada os fez orar. Cientes de que o Japão era a vontade de Deus, chegaram lá em 1901 e fundaram a OMS (Sociedade Missionária Oriental).

    Início do movimento holiness no Japão

    No ano de 1901, Juji Nakada e Charles Cowman fundaram o Salão Central de Evangelização, onde durante o dia havia treinamento teológico e à noite, cultos evangelísticos 365 noites por ano. Chegaram a realizar 3500 noites ininterruptas de cultos evangelísticos. Nos domingos à tarde havia o culto de Santificação (Seikai). Nesse período foi escrito o Seika.

    O objetivo inicial não era fundar uma igreja, mas começar um movimento de avivamento no Japão. Em 1912 a OMS formou uma Cruzada de distribuição de folhetos por todo o Japão. Os alvos não eram nada modestos: Em cinqüenta anos de evangelização protestante no Japão, os missionários haviam alcançado apenas 20% dos lares. A Cruzada queria alcançar os 80% restantes introduzindo algum dos evangelhos em cada casa daquele país (nessa época o Japão tinha 58 milhões de habitantes e 10 milhões e trezentas mil casas). O projeto concluiu seus alvos em 1918.

    Pré Pentecostais

    Devido ao fato dos cristãos Holiness serem muito “barulhentos” e de camadas sociais baixas (os primeiros protestantes japoneses eram da elite), eles não conseguiam se adaptar em outras igrejas. Além disso, os cristão Holiness eram “impertinentes evangelistas”. Por isso, houve a necessidade do movimento virar uma denominação. Em 1917 a Igreja Holiness do Japão foi fundada, 16 anos depois do início dos trabalhos da OMS.

    Avivamento

    A Igreja Holiness do Japão possuía uma visão missionária baseada na metodologia de Paulo. Assim como o apóstolo evangelizava primeiro os judeus por onde chegava, o visão inicial era evangelizar os japoneses residentes no exterior e daí alcançar os povos ao redor. Dessa maneira, em 1917, foi enviado o primeiro pastor evangelista para a Manchúria. Em 1919 foi mandado um pastor para Seoul, Coréia. Em 1925 foram enviados pastores para Taiwan e para o Brasil. Paralelamente, outros missionários surgidos no meio Holiness realizaram missões transculturais com outros povos: alguns pastores foram conviver com indonésios e nativos taiwaneses, estabelecendo trabalhos nessas comunidades. O seminário Holiness de Tóquio recebeu muitos estrangeiros, como estratégia dessa visão missionária: havia bolsistas do exterior se preparando no Japão: coreanos, chineses, russos, brasileiros, ainus, palaus (filipinos). Esses estudantes voltaram para os seus países de origem e fundaram igrejas.

    John Wesley, fundador do Metodismo
    John Wesley, fundador do Metodismo
    Takeo Monobe e sua esposa Sayoko
    Takeo Monobe e sua esposa Sayoko

    Takeo Monobe

    Em 1925, o pr. Takeo Monobe foi nomeado para o Departamento Sul Americano da Igreja Holiness do Japão, vindo para o Brasil. Seu chamado para trabalhar com os imigrantes japoneses do Brasil foi acentuado por realizar diversas vezes despedidas a membros e amigos que embarcavam para o Ocidente em busca de uma nova vida. Ele chegou ao Brasil no dia 15 de julho de 1925, (o dia em que comemoramos o início da Missão Holiness no Brasil), e começou seu trabalho de visitação e evangelização pelo estado de São Paulo.

    Visitava as colônias de japoneses no interior do estado, ensinando a língua japonesa aos filhos dos imigrantes e evangelizando. Várias vezes lavava os pés sujos de barro das crianças e cortava seus cabelos. Em 1926 com a vinda de sua esposa, instalou seu quartel general na Rua Conde de Sarzedas na Liberdade. Um pequeno cômodo foi o início das reuniões do missionário, onde foi colocada uma placa escrita: Igreja Holiness. O principal modelo de expansão e crescimento da Igreja Holiness do Brasil baseou-se na estrutura familiar: onde uma ou mais famílias cristãs estivessem reunidas, uma igreja poderia surgir. Dessa maneira, a visita a esses cristãos era muito importante para que o trabalho se estabelecesse no país.

    A falta de recursos financeiros (não houve promessa de sustento por parte da Igreja Holiness do Japão), aliada aos precários sistemas de transporte e de comunicação do país naquela época obrigava o pr. Takeo Monobe a ficar longas estadias – algumas vezes em jejum – fora de casa. Isso consumia fisicamente o missionário. Em maio de 1929, o bispo Juji Nakada esteve no Brasil durante um mês, realizando cultos de avivamento. Cerca de 60 pessoas se batizaram nessa ocasião. Dois jovens, José Emerenciano e Paulo Almeida foram profundamente tocados quando o bispo Nakada falou sobre as quatro dimensões do Evangelho. No mesmo ano eles partiram para estudar no seminário de Tóquio.

    Após a partida do Bispo Nakada, Takeo Monobe entregou-se com maior ardor à tarefa de evangelização e visitação. Embora fosse fisicamente forte, sofria dores por causa de uma doença que ninguém sabia diagnosticar. Seu último culto missionário foi realizado num humilde lugar em Bastos, com o pastor deitado, pois não tinha mais forças para ficar em pé. Em 25 de julho de 1930, o pastor Monobe faleceu em decorrência de câncer no fígado. Deixou sua esposa e três filhos, que foram levados ao Japão por Shimekiti Tanaami, que iria estudar no seminário de Tóquio.

    O Seminarista José Emerenciano que foi para o Japão estudar.
    O Seminarista José Emerenciano que foi para o Japão estudar.

    O grão de trigo floresce

    Casa do casal Saiki em Bastos onde Takeo Monobe pregou deitado, devido ao seu estado de saúde, meses antes de sua morte. Após o falecimento do pr. Monobe, o pr. Koji Tamura foi colocado como líder do grupo. A cidade deSantos tornou-se o centro dos trabalhos missionários, que se estenderam, para São Paulo, Lins, Registro e Bastos. Nesse mesmo período, outros leigos se consagraram ao ministério e mais pastores surgiram na denominação. Nomes como Shimekiti Tanaami, Juro Yuaça, Takeo Kikuti, Yoshikatsu Nampo, Hidessato Tamura, Nagafumi Yamazaki, entre outros, tornaram-se os principais pilares da igreja Holiness, juntamente com diversos leigos que assumiram a continuidade do trabalho de evangelização entre os japoneses e seus descendentes.

    Independência

    Em 1933, em meio ao segundo grande avivamento da Igreja Holiness do Japão, a denominação estava em crise. Devido a uma interpretação errônea de Juji Nakada a respeito da doutrina sobre a volta de Cristo (que, segundo ele, estava iminente) e da prática devido a essa crença (não se deveria mais evangelizar, mas apenas orar pela conversão do povo de Israel). A igreja Holiness do Japão estava dividida: de um lado estavam cinco professores do seminário, do outro, estava Juji Nakada. Pressionada para tomar partido de alguma facção, a Igreja Holiness do Brasil se tornou independente em 5 de julho de 1934. A falta de informações precisas e a comunicação deficiente, juntamente com o desconhecimento do desenrolar dos fatos no Japão levou a Igreja Holiness do Brasil a tomar essa decisão.

    O centro de treinamento Midiã

    Após a independência da Igreja, era necessário organizar uma série de coisas. Uma delas era o treinamento aos evangelistas-pastores e candidatos. Naquela época, os jovens consagrados vinham moram em São Paulo e trabalhavam numa lavanderia, de onde obtinham seu sustento e estudavam com os pastores mais experientes. Foi uma experiência incomum para a denominação, mas foi um esforço em aprender a caminhar com as próprias pernas e formar seus próprios obreiros.

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    O período da 2ª Guerra Mundial

    Com o advento da 2ª Guerra Mundial, os nikkeis passaram por momentos difíceis no Brasil, juntamente com os descendentes de alemães e italianos. Proibidos de se reunirem e de usarem a língua japonesa, muitas igrejas tiveram que se fazer cultos clandestinamente, e alguns pastores chegaram a ser presos. No Japão, a Igreja Holiness também foi perseguida por não aceitar o culto ao imperador. Lá, alguns pastores foram a ser martirizados. Aqui no Brasil, mesmo com a proibição de se fazer reuniões em japonês, as igrejas continuaram realizar seus trabalhos de forma discreta, até que a lei fosse revogada.

    O Pós-Guerra

    Após a 2ª Guerra, com a derrota do Japão, alguns descendentes de japoneses inconformados começaram a realizar atos de terrorismo. Outros, sabendo que o Japão estava em situação de penúria, resolveram ficar no Brasil. Essa decisão fez com que seus filhos continuassem os estudos e assumissem a condição de brasileiros. Após esse período, a Igreja Holiness do Brasil começou a se solidificar e espalhar em algumas cidades do país. Na década de 50, a OMS iniciou alguns trabalhos em parceria com a Igreja Holiness do Brasil dando origem a diversas igrejas também denominadas “Holiness”. Em 1962, no 10º Concílio Geral, os dois trabalhos se separaram e a igreja da OMS passou a chamar Igreja Missionária. Nos anos posteriores, a Igreja Holiness continuou a se espalhar, prioritariamente onde havia concentração de nikkeis. Além dos pastores isseis (japoneses), pastores nisseis, sanseis e não-descendentes foram se incorporando ao quadro de obreiros, indicando a contextualização da igreja no Brasil. Por outro lado, missionários japoneses também se associaram à denominação, com o fim de se trabalhar com os isseis (sobretudo, com os imigrantes do período pós-guerra, pois nossos pastores isseis são do período anterior). Toda essa diversidade cultural só tem enriquecido a denominação e acrescentado experiências e realizações.

    Expansão de igrejas e ministérios

    Apesar da identificação com a cultura brasileira e a miscigenação dos membros e pastores, a Igreja Holiness continuou sua fase de expansão geográfica em busca de concentrações de nikkeis. Muitas igrejas novas foram surgindo através de esforços de igrejas locais em implantar congregações e de pastores missionários em fundar novos trabalhos. Algumas igrejas em zonas rurais fecharam devido à migração dos membros para os centros urbanos. Na década de setenta os ministérios com jovens, como a Confederação das Mocidades Evangélicas Holiness e Ministério de Acampamentos surgiram, juntamente com o fortalecimento das escolas dominicais através da Superintendência Geral das Escolas Dominicais. Nos anos oitenta e noventa, novas igrejas e congregações surgem, juntamente com novos ministérios e a denominação começa a enviar oficialmente missionários para o exterior. É uma nova fase, cuja história ainda está sendo escrita e, com certeza, você já faz parte dela.

    Relações interdenominacionais

    a) Nos últimos anos têm trabalhado conosco os missionários enviados pela Igreja Holiness do Japão bem como os missionários enviados pela Nambei Senkyo-kai (Missão Sul Americana).

    b) Nossa igreja mantém um relacionamento fraternal com as principais igrejas que trabalham em língua japonesa no Brasil, através da Federação Evangélica Nikkey, da qual somos sócios-fundadores e para cuja diretoria em muitas gestões temos indicado representantes.

    c) A nossa Igreja é também parte da AEVB (Associação Evangélica Brasileira), fruto de um movimento que tem reunido igrejas evangélicas em nosso país através de encontros e congressos desde 1979 (Geração 79 da MPC) e a partir de 1991 se organizou como AEVB.

    Pastor Key Yuasa (Revisado pelo Departamento de Educação, com permissão do autor)

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